Blog do Navarro

Análises e notícias do São Paulo F.C.

São Paulo pode ter novo fornecedor de material esportivo

Under Armour é responsável pelo uniforme do Tottenham

Semana passada, Paulo Pontes, do Tricolor na Web, forneceu muitas informações interessantes sobre uma possível mudança no fornecedor de material esportivo do São Paulo. Segundo ele, a Penalty teria manifestado interesse em encerrar o contrato no final desse ano, antecipando assim o que somente ocorreria em dezembro 2015.

Diante disso, o clube estaria procurando interessados no mercado, e, ainda segundo Pontes, tem mantido conversas adiantadas com três empresas, dentre elas, Puma e Adidas. É possível que a terceira empresa seja a americana Under Armor, conforme entrevista do Diretor de Marketing Ruy Barbosa ao Lancenet: “O São Paulo fala com todo mundo sempre Under Armour, Adidas… A gente está sempre conversando, mesmo porque o contrato para 2016 tem que ser discutido já” (notem que não é certeza o rompimento do contrato com a Penalty. Nesse caso, o novo fornecedor ficaria para 2016 mesmo).

Nessa aparente disputa pela camisa são-paulina, parece que a Adidas tem boas chances de sair vitoriosa. Ao menos é o que afirmam Paulo Pontes (na reportagem mencionada) e Sonia Racy, do Estadão, em matéria publicada hoje.

Uma das vantagens de um novo fornecedor é que provavelmente não será tão contestado pela torcida como foi a Penalty – que não foi tão bem em 2013, mas evoluiu consideravelmente em 2014.

Noves fora as questões estéticas envolvidas, acredito que o mais importante sobre o tema é a questão financeira – ainda mais considerando-se que a Penalty não paga um valor (em pecúnia) tão elevado ao SPFC. E no cenário atual, com uma folha salarial elevada e dificuldade em se conseguir um patrocinador master, não se pode deixar de lado essa importante fonte de receita. Em síntese: mais importante do que saber quais empresas podem confeccionar a camisa tricolor é saber quanto que elas estariam dispostas a pagar por isso.

Por fim, uma questão curiosa chama atenção: Paulo Pontes também afirma que as empresas interessadas não abrem mão de uma terceira camisa – e mais: o Conselho estaria disposto a aceitar esta imposição. Depois do sucesso da camisa vermelha, creio que seria uma medida interessante para o SPFC.

Muricy pode ser o responsável pela contratação de Michel Bastos

Assim que André Plihal informou que o tão badalado reforço era Michel Bastos, foi possível ver a decepção da torcida. Não a culpo, afinal de contas, Gil Guerreiro falou que estava contratando um ‘craque’ (viram porque sempre sou cético nessas horas? hehe).

Apesar de compreender a reação da torcida, não acho que seja muito relevante se preocupar tanto assim por conta da expectativa gerada. O que importa (e o que deve ser avaliado) é o custo benefício do jogador.

É fato que não se trata de nenhum desconhecido nem de um perna de pau. Michel Bastos pode não ser craque mas é um jogador competitivo. 

O que incomoda na verdade não é sua qualidade mas sim o fato dele não atender as principais carências da equipe, quais sejam, lateral direita, volante e zaga. Como se sabe, Michel é lateral esquerdo, e pode inclusive jogar no meio campo, mais adiantado. E essas posições atualmente já tem titulares.

Contudo, Plihal forneceu uma informação relevante: não foi nada planejado e sim uma contratação de oportunidade.

Não sou contra aproveitar oportunidades. Vai dizer que você nunca comprou nada em promoção, mesmo sem realmente precisar? Um jogador que normalmente custa X e por determinadas circunstâncias, passa a custar 1/2X é uma pechincha. Porque não aproveitar – mesmo não sendo o que o time mais precisa?

O problema no caso específico do SPFC é fazer isso num momento em que o tricolor está com a corda no pescoço, gastando R$ 10 milhões por mês com a folha salarial e sem patrocinador master. Nesse caso, faria mais sentido concentrar recursos para as demais posições, evitando assim gasto dobrado em ‘2 titulares’.

Mas a responsabilidade (ou seria a culpa?) por essa contratação não é necessariamente apenas de Gil Guerreiro. Isso porque Jorge Nicole, em notícia do dia 30 de julho, divulgou que Muricy havia pedido a Aidar a contratação de um lateral esquerdo para disputar posição com Álvaro Pereira. E teria sido justamente o treinador que convenceu o presidente a fazê-lo.

O fato de Álvaro Pereira estar emprestado por curto prazo ao tricolor e de Michel Bastos estar sendo contratado em definitivo ajuda, mas não o suficiente, a justificar o investimento feito. Outro motivo (inclusive alegado por Muricy) é que Reinaldo estaria deixando muito a desejar no treinos, motivando assim a busca por mais um atleta na posição. 

De qualquer forma, apesar dos pesares, não dá pra negar que o time ficou mais forte. Não acredito que seja motivo para achar ruim a contratação – até porque Michel Bastos é muito melhor do que o reserva atual da posição.

PS.: não estou dizendo que Muricy pediu ou avalizou a contratação de Michel Bastos. Estou apenas mostrando uma possível coincidência entre os fatos.

Algumas dicas de quem pode ser o novo reforço do São Paulo

A noite de terça-feira está sendo bem animada para os torcedores são-paulinos. Ataíde Gil Guerreiro, segundo o Uol e o Globoesporte.com publicaram, informou que o SPFC espera anunciar até quarta-feira o último reforço da temporada, cuja negociação continuaria ao longo da madrugada.

A curiosidade da torcida, por óbvio, é grande. Temos, contudo, algumas dicas de quem pode ser o tal reforço.

Fernando Faro, do Estadão, afirmou que trata-se de um jogador que já atuou na seleção brasileira (e, portanto, é brasileiro) e que é polivalente.

Gil Guerreiro disse que o jogador  “tem contrato lá fora e ganharia muito mais do que ganharia aqui”. Complementou afirmando que pode jogar no ataque e que se trata de de um “jogador de ponta, um craque”.

Carlos Augusto Ferrari, do globoesporte.com, obteve junto a comissão técnica a informação de que se trata de um defensor, podendo o atleta atuar tanto na defesa quanto no meio campo.

Pessoalmente, sempre opto por certo ceticismo, até para não me decepcionar. Por isso, acredito ser pouco provável se tratar de um grande jogador. O fato do clube já ter investido na vinda de Kaka, estar com a folha de pagamento inchada e com déficit no orçamento reforçam essa tese.

Mas nunca se sabe, ainda mais considerando o perfil ambicioso de Aidar.

O que talvez seja tão importante saber é a posição do atleta. Hoje, creio que um volante e um lateral direito bons são a maior carência da equipe – torço para que o tal reforço seja de uma dessas posições.

E então, o que acham? Quem deve ser o novo reforço?

Atualização: André Plihal, da ESPN, informou que se trata do Michel Bastos.

Rede Globo tem razão ao exigir maior competitividade dos clubes. Mas a emissora é parte do problema

Notícia de Daniel Castro, do Uol, expõe o assunto que será objeto da reunião entre a Rede Globo e os presidentes dos clubes da série A: exigir melhor qualidade do futebol. A justificativa do pedido seria a contínua queda na audiência que o futebol tem proporcionado.

Considerando-se que a emissora pagou (muito) caro pelos direitos de tv, ela tem todo o direito de exigir isso, ainda mais depois da pífia audiência dos jogos do SCCP e do Flamengo, clubes de maior torcida do país. E uma das armas para a Globo conseguir seu objetivo é, segundo a reportagem do UOl, mostrar que sem uma melhora da audiência, o futebol acabará ficando restrito à tv fechada – algo que a emissora acaba de fazer com a Fórmula 1, que a partir de 2015 será transmitida apenas pelo Sportv.

E isso significaria um grande prejuízo para os clubes, uma vez que a principal fonte de renda deles são os direitos de tv (aberta).

Diante da CBF, alguns clubes, ainda de acordo com a reportagem, chegaram reclamar da discrepância das cotas de tv entre os clubes. A justificativa oficial de Marcelo Campos Pinto é que a emissora define tais valores com base na audiência e nos jogos transmitidos.

Eis aí uma grande parte do problema. Ou melhor, do que pode piorar o problema. Hoje, clubes como Grêmio e Cruzeiro recebem menos de metade do que Flamengo e SCCP. E essa diferença aumentará ainda mais a partir de 2017.

Como pode a Rede Globo exigir maior competitividade das equipes (que depende diretamente do equilíbrio do certame) se ela mesma fomenta o desequilíbrio?

Reconheço, por óbvio, a parcela de culpa dos dirigentes, que mesmo depois de receberem uma nota preta pela renovação dos contratos com a tv, não conseguem manter a saúde financeira dos clubes, nem aumentar a competitividade dos times – basta ver que quase todos os clubes ainda hoje dependem de antecipação da grana da tv.

Mas esse problema tende apenas a piorar com a diferença gritante de cotas de tv, que no longo prazo tem tudo para acabar com qualquer resquício de competitividade do Brasileirão.

Captura de Tela 2014-08-06 às 12.25.51E diga-se de passagem que a justificativa dada por Campos Pinto não é verdadeira.

O que motivou as diferenças das cotas de tv foi a necessidade de romper o Clube dos 13 e impedir que o Brasileirão fosse paras as mãos da concorrência.

Em suma: nada a ver com audiência – tanto que os valores das cotas não tem nenhuma proporcionalidade com a audiência dos times, como ocorre na Premier League.

Se não fosse assim, Flamengo e SCCP não ganhariam o que ganham hoje, uma vez que ambos têm decepcionado na audiência. SCCP x Criciúma, por exemplo, rendeu pífios 13 pontos no Ibope. Flamengo x Chapecoense rendeu míseros 17 pontos.

Caso a justificativa da audiência fosse verdadeira, então o SPFC ganharia a maior cota no ano, tendo em vista ser líder de audiência na Globo em 2014, com uma média de 22,8 pontos (veja aqui).

Por isso, digo que se por um lado a cobrança da Globo é justa, ela também é uma oportunidade única para os clubes brasileiros lutarem por uma distribuição mais justa dos direitos de televisão – sob pena do problema da audiência piorar ainda mais, prejudicando tanto a emissora quanto os clubes.

SPFC tem oportunidade única para ter Kaká. Único porém é a curta duração do contrato

Matéria de Fabricio Crepaldi e Marcelo Prado no Globoesporte.com informa que o tricolor paulista negocia para ter Kaká por empréstimo até março de 2015. O meia teria um pré-contrato com o Orlando City, mas como a temporada americana somente começa em março 2015, até lá Kaká atuaria no clube que o revelou. Seriam assim 11 meses (10 meses desconsiderando a folga do fim de ano).

Importante deixar claro que ainda não há nada sacramentado, mas as chances de acerto são grandes (segundo a reportagem). Tanto que um dos maiores entraves (acerto salarial) já foi resolvido.

Não há dúvidas de que se trata de uma grande oportunidade. Eu mesmo duvidava que Kaká voltaria tão cedo ao tricolor. É possível que a separação com sua esposa tenha cooperado para mudar esse cenário. Aos 32 anos, Kaká ainda pode render bastante, ainda que esteja distante do meia que chegou a melhor jogador do mundo.

Considerando-se a idade do jogador, o fato dele ser contratado sem custo e de provavelmente ter aceitado um salário realista tornam essa uma oportunidade única.

Lamento apenas  a curta duração do contrato. Kaká não jogaria nenhum campeonato completo pelo tricolor. Nem Brasileiro, nem paulista nem uma eventual Libertadores. Além disso, tenho por princípio que jogador contratado por pouco tempo já chega no time pensando quando vai sair. Mas quando assina por 2 ou 3 anos, a perspectiva muda.

Por outro lado, é importante avaliar que Muricy teria ótimas oportunidades para montar o time. Com Ganso e Pato oscilando, seria bom ter mais disputa no setor ofensivo – muito embora Allan Kardec tenha acabado de chegar.

Por fim, a vinda de Kaká ajudaria bastante o tricolor a conseguir um patrocinador master. Do jeito que está o mercado, seria uma ajuda mais do que bem-vinda paras as finanças do clube do Morumbi..

 

Morumbi: além da cobertura, Aidar quer aproximar arquibancada do campo

Antes de mais nada, sim, eu estou vivo. O trabalho infelizmente me deixou um tanto longe do blog, que acabou abandonado.

Parar quebrar essa rotina, finalmente tratarei do desfecho (se é que se pode falar em desfecho) do imbróglio da cobertura do Morumbi.

Não vou perder tempo tratando dos motivos que levaram o projeto a cair por terra pois o Julio Prieto já tratou com maestria do tema em seu blog O Boteco do Morumbi. Tanto a oposição, quanto a situação e o cenário econômico tornaram pouco prováveis a continuidade da tão sonhada cobertura.

Mas há um fator a mais nessa história: Carlos Miguel Aidar. Durante sua candidatura à presidência, ele já havia mencionado discretamente que se incomodava mais com a distância da arquibancada em relação ao campo do que com a falta de cobertura. Ou seja, ele discordava do projeto feito por seu antecessor.

Acredito (e aqui estou especulando) que esse foi um dos motivos que levou Aidar a não insistir na disputa com o Conselho para aprovar o projeto. O presidente são-paulino aproveitou a situação desfavorável para conceber um novo projeto, mais ousado e mais difícil de ser viabilizado, de acordo com o que ele quer para o estádio.

Não é a toa que, em recente entrevista ao Blog do Menon, deixou claro que o Morumbi está defasado em comparação com os demais estádios brasileiros. Aidar depois se desculpou pela declaração, mas a mensagem foi muito clara: ele quer uma reforma estrutural do Cícero Pompeu de Toledo.

Tanto é verdade que ocorreu nova reunião no Conselho Deliberativo para tratar do tema, segundo revelou Paulo Pontes, do Tricolor na Web. Segundo ele, três construtoras apresentarão, em breve, propostas para reformar o estádio. E todas elas incluíram cobertura, a arena para shows e o estacionamento.

Uma dessas propostas, ainda segundo a matéria, estaria sendo bem vistaa pelo Conselho e consistiria no prolongamento do anel superior até a beira do campo, que seria rebaixado. Com isso, o andar inferior deixaria de ser arquibancada para dar lugar a um shopping.

A idéia é ousada e menos conservadora que o projeto anterior. Mas o preço dessa ousadia é o custo, que certamente será gigantesco, próximo do custo do projeto para a Copa do Mundo. O que poderia facilitar a empreitada, contudo, é a criação do shopping. Desse modo, além da arena para shows, haveria mais uma fonte de renda para bancar a obra.

Não tenho idéia se isso vai ou não para frente. Confesso que já estive muito otimista quanto à cobertura e hoje minha postura é de absoluto ceticismo, tanto pelas complicações políticas do clube, quanto pelo custo e pela burocracia exigida para uma reforma tão grandiosa.

Veremos o que acontecerá nos próximos capítulos.

Aidar: “vamos reformar o estatuto sim!”

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Carlos Miguel Aidar foi questionado sobre a afirmação de Marco Aurélio Cunha de que “com cizânia e soberba a cobertura do Morumbi não seria aprovada”.

Em resposta, Aidar afirmou: “vamos reformar o estatuto sim”, para com isso reduzir o quórum do Conselho Deliberativo e assim aprovar o projeto da cobertura do estádio. Uma atitude radical desse porte no início do mandato  não é lá algo muito positivo, ainda mais depois do famigerado terceiro mandato de Juvenal Juvêncio. Mas sem sombra de dúvida se tornou necessário.

A porta para tal situação foi dada justamente pelos membros da oposição que mais uma vez impediram o quórum, fazendo o  SPFC perder um tempo precioso – vale lembrar que o prazo dado pela CVM acaba em junho – mesmo depois de terem acesso ao contrato.

Captura de Tela 2013-12-18 às 16.00.47É de se lamentar apenas a falta de entendimento, que seria uma solução mais proveitosa. Marco Aurélio Cunha deu entrevista recentemente dando a entender que estava aberto a uma negociação. Mas receio que o recente clima eleitoral tenha tornado essa saída pouco provável.

Na entrevista, Aidar comentou mais alguns detalhes do andamento do projeto e da obra em si. O novo presidente tricolor já está organizando a equipe que ficará responsável pela escolha da construtora que realizará a obra (há 10 empresas na disputa).

À princípio, a cobertura seria feita em 18 meses, mas há possibilidade desse prazo ser reduzido para 16 meses. Desse total, o estádio precisará ficar fechado por 8 meses. Além disso, disse que há possibilidade do custo previsto de R$ 450 milhões ser reduzido.

Ficou evidente que Aidar tem certa pressa no andamento da obra, principalmente diante da concorrência com a Arena Palestra. Ele citou, como exemplo, o fato do Morumbi ter herdado dois shows que seriam no estádio do Palmeiras, apenas porque este ainda não está pronto.

Kalil desiste de candidatura e complica votação da cobertura do Morumbi

 

Fonte: Revista TMQ

Fonte: Revista TMQ

Jorge Nícola, do Diario SP, informa que Kalil oficializará hoje sua desistência à candidatura à presidência do SPFC. A iniciativa visa justamente escapar da manobra da situação, que colocou na mesma pauta da sessão da eleição a votação do contrato da reforma do Morumbi.

O que penso disso? Vejamos.

Em dezembro de 2013 afirmei o seguinte neste blog:

“Ao fim e a o cabo, independentemente de eventuais questões políticas e eleitorais envolvidas, o fato é que a oposição tem o direito de saber aquilo que está sob sua apreciação. E este direito deve ser atendido pela situação, seja por um princípio democrático, seja porque isso evita que tal justificativa seja invocada novamente.

Com isso, não haverá motivo para o Conselho novamente deixar de apreciar o contrato, seja votando a favor ou contra.”

Desde então, a oposição teve seu pleito atendio. A situação forneceu para uma comissão o contrato da cobertura do estádio, que o analisou, tendo assim condições de repassar aos demais membros da oposição sua análise da questão. Segundo o Blog do Birner, inclusive, todos os documentos pertinentes foram disponibilizados.

Problema resolvido certo? Errado!

Os conselheiros da oposição continuaram com a postura de não votar o projeto, por discordar do mesmo. Justamente por este motivo que Aidar inseriu a votação no mesmo dia da eleição, de modo a “forçar” o quórum de 75%.

Na medida em que Kalil não têm mais chances de êxito, abdicou de sua candidatura, mostrando que nem tão cedo o projeto será votado no conselho.

A propósito, eis a justificativa dada por Kalil:

Captura de Tela 2014-04-16 às 17.50.57

“Não se trata de boicote, mas de protesto”, justifica Kalil. “Não podemos aprovar uma obra de mais de R$ 500 milhões assim, sem discussão, goela abaixo. Sem contar que esse projeto faz o São Paulo deixar de ser dono do Morumbi pelos próximos 20 anos”, disse o opositor, em entrevista ao Blog dias atrás.

O projeto de fato estava sendo imposto goela abaixo no ano passado. Mas não é o caso agora. E mais: SPFC não deixará de ser dono do Morumbi por 20 anos. Apenas cederá parte das receitas do estádio – parte essa bem menor que a cedida por Palmeiras e SCCP, por exemplo.

E isso é algo que não tem como ser evitado, afinal de contas, não existe nada grátis. Para ganhar um cobertura de centenas de milhões de reais, algo precisa ser dado em troca. E isso foi feito de forma bastante razoável, conforme análises feitas neste blog tempos atrás (aqui e aqui).

O fato é que tal situação gera um risco de grande prejuízo ao SPFC, que após superar todos os diversos entraves burocráticos, se vê num momento chave, posto que após a aprovação do fundo pela CVM, há um prazo de 6 meses para concluir o contrato e captar os investidores.

Ou seja, há sim motivo para pressa, caso contrário, teremos novamente mais uma lenta e demorada novela no Conselho de Valores Mobiliários. Isso sem contar o dano à credibilidade do clube.

Fonte: Revista TQM

Fonte: Revista TQM

Por esses motivos entendo que, agora, ao contrário do que ocorreu no ano passado, não assiste razão à oposição. No meu irrelevante entender, só faz sentido boicotar a votação caso os conselheiros não tenham conhecimento do que estão votando, tal como ocorreu no fim de 2013.

Não é o caso, uma vez que a comissão da oposição teve a oportunidade de analisar o contrato. O que ocorre é discordância do contrato, não desconhecimento do mesmo.

“Mas Navarro, e os novos conselheiros que foram eleitos? Eles não tiveram acesso ao contrato?”

Realmente não tiveram. Assim como boa parte dos demais conselheiros da oposição, uma vez que estes foram representados pela comissão. Portanto, esta pode perfeitamente atender às dúvidas dos novos membros do CD. Na pior das hipóteses que se dê mais duas semanas para os novos conselheiros conhecerem a matéria e ponto final.

É possível que a oposição queira, com isso, apenas barganhar a mudança de alguns pontos do contrato.  Se for assim, menos mal, pois pode-se sonhar com alguma composição que satisfaça ambas as partes – desde que também haja boa vontade da situação. Mas pra isso é preciso que a oposição explicite exatamente o que quer mudar ao invés de apenas condenar o contrato como um todo.

No fim das contas, creio que a única postura correta seria tentar alguma composição para então votar, seja contra ou a favor. Afinal de contas, o papel do Conselho Deliberativo não é inviabilizar a gestão do clube e sim fiscalizá-la, por meio do voto.

Diante deste cenário, não ficaria surpreso se Aidar levasse adiante a idéia de uma nova reforma estatutária visando a diminuição do quórum, permitindo assim que o proejto seja votado mesmo diante da ausência dos conselheiros da oposição. Tal atitude não seria das mais corretas, pra dizer o mínimo, mas pode se tornar o único caminho para evitar que o Morumbi caia no ostracismo.

Cara de pau alvinegra

Não existe nada nada mais imaturo do que culpar os outros pelos próprios erros.  Pois hoje ocorreu algo nesse sentido na eliminação precoce do Corinthians no fraco campeonato Paulista.

O alvinegro precisava vencer o Penapolense e torcer pelo êxito do SPFC contra o Ituano. Mas nada disso aconteceu. O tricolor perdeu por 1×0 em meio a uma chuva torrencial, e o SCCP apenas empatou.

Diante dessa situação, qualquer profissional sério reconheceria os próprios erros, independentemente do que ocorreu no jogo do tricolor. Mas não foi bem assim.

Mano Menezes alfinetou o tricolor, afirmando que  “cada um sabe a consciência que coloca no travesseiro para dormir (…) Os deuses do futebol estão lá em cima e sabem bem conduzir o comportamento de cada um quando a bola rolar lá na frente. Vamos esperar o que os deuses vão fazer” (via globoesporte.com).

Romarinho foi mais incisivo ao afirmar que “Não é normal. Todo mundo sabe. Ainda mais de um a zero. Isso aí todo mundo sabe que foi armado. A gente lamenta muito, mas fazer o quê? Eu tenho certeza que foi isso que aconteceu, que eles entregaram” (via ESPN Brasil).

Em suma, o que o treinador e o jogador corintiano deram a entender é que o fracasso do SCCP no torneio ocorreu por conta do SPFC.

Rubens Cavallari

Grafite salvando o SCCP da própria incompetência 

Bem, vamos supor que o SPFC tivesse deliberadamente entregado o jogo, fazendo gols contra e tudo mais. Seria um ato anti desportivo do tricolor, mas não isentaria em nada a incompetência corintiana.

O problema é que nem isso aconteceu. O time de Muricy Ramalho entrou em campo com a maioria dos titulares e não cometeu nenhum ato que denotasse ‘corpo mole’, ao contrário do goleiro corintiano em 2009, que simplesmente ficou parado numa cobrança de pênalti, num ato anti-desportivo, desonesto e covarde (veja o vídeo acima).

Se determinado time já agiu de forma desonesta no passado, e faz uma campanha pífia no Paulistinha, não tem direito nem moral para jogar nas costas de terceiros a culpa pelo próprio fracasso.

 Quem tem moral e de sobra é o SPFC, que já teve nas mãos o poder para rebaixar o rival, mas não o fez.

E por favor, nada de tentar culpar a torcida são-paulina no estádio, que comemorou a derrota do SPFC, pois não foi essa a causa das seguidas derrotas do SCCP para times fracos, bem como não foi a causa do empate contra o Penapolense.

Enfim, que Mano Menezes e Romarinho se preocupem mais com o próprio time, pois ser eliminado precocemente na primeira fase de um torneio desses é no mínimo vexatório. E deixem o SPFC, que está muito bem, em paz.

Troca de Jadson por Alexandre Pato é uma aposta válida*

fonte: globoesporte.com

fonte: globoesporte.com

No ano passado, Muricy Ramalho havia dito que não queria jogador “mais ou menos” para reforçar o time. Há alguns dias, o treinador mudou de tom, diante da escassez do mercado, destacando principalmente a dificuldade em se encontrar um atacante para disputar vaga com Luis Fabiano e meio que aceitando um atacante de qualidade inferior.

Diante desse quadro, imaginei que teríamos que nos contentar com Luis Fabiano e algum quebra galho de quinta para a posição de centroavante. Até que hoje surgiu essa notícia bombástica sobre a troca de Jadson por Alexandre Pato, noticiada pelo globoesporte.com.

Confesso que de início estranhei, principalmente porque desenvolvi uma considerável aversão pelo atacante corintiano, que além de ser supervalorizado (nem em mil anos poderá ser considerado um ‘craque’), tem uma postura preguiçosa e arrogante dentro de campo.

Contudo, me lembrei do que Muricy havia dito. E entre um quebra galho qualquer e uma aposta de baixo custo em Pato, fico com a segunda opção.

Primeiro porque Luis Fabiano de fato não tem convencido. Nos jogos importante some, e ainda reclama quando é cobrado.  Ou seja, é essencial ter um atacante decente para substituí-lo. E se Pato não é craque, também não é uma porcaria, muito embora tenha feito uma campanha bem fraca no ano passado, com 17 gols e 2 assistências em 57 jogos (segundo Vinícius Incrocci) – uma média de apenas 0,3 gol por partida.

Em segundo lugar, entendo ser menos provável ele manter essa preguiça toda porque não vai chegar ao SPFC da mesma forma com que chegou ao SCCP. Lá, chegou como rei, contratado por 40 milhões de reais. Aqui, chegará como um jogador contestado e com rejeição de 90% da torcida. Em outras palavras, precisará mostrar serviço para ser aceito.

A propósito, esse é outro ponto: a rejeição da torcida. Pato não é o primeiro jogador da história que sai de um clube para um rival, depois de ter sido desrespeitoso com a torcida deste. Lembrei do caso do atacante Carlinhos Bala, que quando era do Santa Cruz, fez aquele sinal bonito com o dedo do meio para a torcida rubro-negra em plena Ilha do Retiro. E depois foi jogar no próprio Sport, sob desconfiança da torcida. No ano seguinte, o clube foi campeão da Copa do Brasil, e a torcida esqueceu das cagadas que o jogador fez quando atuava no rival.

O mesmo pode acontecer com Pato. Se deixar a marra e a  displicência de lado e fizer gols, todos vão aplaudir. Inclusive você que está lendo o texto neste momento.

Entretanto, é preciso analisar o custo do negócio para saber se o mesmo é vantajoso. A contrapartida do SPFC, pelo que foi divulgado, será ceder Jadson, além de pagar cerca de metade do salário de Pato (R$ 350 mil). Quanto ao salário, não vejo problemas, principalmente porque está dentro da política salarial do clube.

Quanto à ceder Jadson, confesso que também não me incomodo tanto. Apesar de ser excelente jogador, tem deixado a desejar faz algum tempo. O próprio Muricy (segundo reportagem do Uol, se eu não estiver equivocado), não está contente com o jogador, que além do sobrepeso, não tem demonstrado muita disposição. Ou seja, hoje Jadson não é um jogador imprescindível para o time, tornando-se descartável, inclusive para dar espaço para o jovem Gabriel Boschilia, recém-chegado ao profissional.

O que preocupa, no entanto, é o fato de ter 2 centroavantes com muitos problemas de lesão e pouca dedicação. Quem dera tivessem 10% da disposição do Boi Bandido…

Enfim, no frigir dos ovos, vamos abrir mão de um jogador pouco importante para o time, e que custou R$ 8,6 milhões, para ter por 2 anos um jogador cuja posição é mais carente , e que custou quase 5x mais. E isso com um custo baixíssimo (não é a toa que os torcedores rivais estão revoltados com Mario Gobbi, que pagou fortunas por um jogador, para depois cedê-lo praticamente de graça ao SPFC, e ainda pagando metade do salário.)

Que fique claro: vejo a contratação de Pato não mais do que uma aposta. Mas uma aposta válida diante do baixo custo da mesma, das condições do mercado e das necessidades do SPFC. Poder contratar um atacante de qualidade atualmente sem gastar nada além de salários é um negócio de oportunidade. E que se não der certo, causará uma perda mínima.

Vejamos no que vai dar.

ps.: segundo o globoesporte.com, o negócio foi sacramentado.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 10.922 outros seguidores