Blog do Navarro

Análises e notícias do São Paulo F.C.

Kalil desiste de candidatura e complica votação da cobertura do Morumbi

 

Fonte: Revista TMQ

Fonte: Revista TMQ

Jorge Nícola, do Diario SP, informa que Kalil oficializará hoje sua desistência à candidatura à presidência do SPFC. A iniciativa visa justamente escapar da manobra da situação, que colocou na mesma pauta da sessão da eleição a votação do contrato da reforma do Morumbi.

O que penso disso? Vejamos.

Em dezembro de 2013 afirmei o seguinte neste blog:

“Ao fim e a o cabo, independentemente de eventuais questões políticas e eleitorais envolvidas, o fato é que a oposição tem o direito de saber aquilo que está sob sua apreciação. E este direito deve ser atendido pela situação, seja por um princípio democrático, seja porque isso evita que tal justificativa seja invocada novamente.

Com isso, não haverá motivo para o Conselho novamente deixar de apreciar o contrato, seja votando a favor ou contra.”

Desde então, a oposição teve seu pleito atendio. A situação forneceu para uma comissão o contrato da cobertura do estádio, que o analisou, tendo assim condições de repassar aos demais membros da oposição sua análise da questão. Segundo o Blog do Birner, inclusive, todos os documentos pertinentes foram disponibilizados.

Problema resolvido certo? Errado!

Os conselheiros da oposição continuaram com a postura de não votar o projeto, por discordar do mesmo. Justamente por este motivo que Aidar inseriu a votação no mesmo dia da eleição, de modo a “forçar” o quórum de 75%.

Na medida em que Kalil não têm mais chances de êxito, abdicou de sua candidatura, mostrando que nem tão cedo o projeto será votado no conselho.

A propósito, eis a justificativa dada por Kalil:

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“Não se trata de boicote, mas de protesto”, justifica Kalil. “Não podemos aprovar uma obra de mais de R$ 500 milhões assim, sem discussão, goela abaixo. Sem contar que esse projeto faz o São Paulo deixar de ser dono do Morumbi pelos próximos 20 anos”, disse o opositor, em entrevista ao Blog dias atrás.

O projeto de fato estava sendo imposto goela abaixo no ano passado. Mas não é o caso agora. E mais: SPFC não deixará de ser dono do Morumbi por 20 anos. Apenas cederá parte das receitas do estádio – parte essa bem menor que a cedida por Palmeiras e SCCP, por exemplo.

E isso é algo que não tem como ser evitado, afinal de contas, não existe nada grátis. Para ganhar um cobertura de centenas de milhões de reais, algo precisa ser dado em troca. E isso foi feito de forma bastante razoável, conforme análises feitas neste blog tempos atrás (aqui e aqui).

O fato é que tal situação gera um risco de grande prejuízo ao SPFC, que após superar todos os diversos entraves burocráticos, se vê num momento chave, posto que após a aprovação do fundo pela CVM, há um prazo de 6 meses para concluir o contrato e captar os investidores.

Ou seja, há sim motivo para pressa, caso contrário, teremos novamente mais uma lenta e demorada novela no Conselho de Valores Mobiliários. Isso sem contar o dano à credibilidade do clube.

Fonte: Revista TQM

Fonte: Revista TQM

Por esses motivos entendo que, agora, ao contrário do que ocorreu no ano passado, não assiste razão à oposição. No meu irrelevante entender, só faz sentido boicotar a votação caso os conselheiros não tenham conhecimento do que estão votando, tal como ocorreu no fim de 2013.

Não é o caso, uma vez que a comissão da oposição teve a oportunidade de analisar o contrato. O que ocorre é discordância do contrato, não desconhecimento do mesmo.

“Mas Navarro, e os novos conselheiros que foram eleitos? Eles não tiveram acesso ao contrato?”

Realmente não tiveram. Assim como boa parte dos demais conselheiros da oposição, uma vez que estes foram representados pela comissão. Portanto, esta pode perfeitamente atender às dúvidas dos novos membros do CD. Na pior das hipóteses que se dê mais duas semanas para os novos conselheiros conhecerem a matéria e ponto final.

É possível que a oposição queira, com isso, apenas barganhar a mudança de alguns pontos do contrato.  Se for assim, menos mal, pois pode-se sonhar com alguma composição que satisfaça ambas as partes – desde que também haja boa vontade da situação. Mas pra isso é preciso que a oposição explicite exatamente o que quer mudar ao invés de apenas condenar o contrato como um todo.

No fim das contas, creio que a única postura correta seria tentar alguma composição para então votar, seja contra ou a favor. Afinal de contas, o papel do Conselho Deliberativo não é inviabilizar a gestão do clube e sim fiscalizá-la, por meio do voto.

Diante deste cenário, não ficaria surpreso se Aidar levasse adiante a idéia de uma nova reforma estatutária visando a diminuição do quórum, permitindo assim que o proejto seja votado mesmo diante da ausência dos conselheiros da oposição. Tal atitude não seria das mais corretas, pra dizer o mínimo, mas pode se tornar o único caminho para evitar que o Morumbi caia no ostracismo.

Cara de pau alvinegra

Não existe nada nada mais imaturo do que culpar os outros pelos próprios erros.  Pois hoje ocorreu algo nesse sentido na eliminação precoce do Corinthians no fraco campeonato Paulista.

O alvinegro precisava vencer o Penapolense e torcer pelo êxito do SPFC contra o Ituano. Mas nada disso aconteceu. O tricolor perdeu por 1×0 em meio a uma chuva torrencial, e o SCCP apenas empatou.

Diante dessa situação, qualquer profissional sério reconheceria os próprios erros, independentemente do que ocorreu no jogo do tricolor. Mas não foi bem assim.

Mano Menezes alfinetou o tricolor, afirmando que  “cada um sabe a consciência que coloca no travesseiro para dormir (…) Os deuses do futebol estão lá em cima e sabem bem conduzir o comportamento de cada um quando a bola rolar lá na frente. Vamos esperar o que os deuses vão fazer” (via globoesporte.com).

Romarinho foi mais incisivo ao afirmar que “Não é normal. Todo mundo sabe. Ainda mais de um a zero. Isso aí todo mundo sabe que foi armado. A gente lamenta muito, mas fazer o quê? Eu tenho certeza que foi isso que aconteceu, que eles entregaram” (via ESPN Brasil).

Em suma, o que o treinador e o jogador corintiano deram a entender é que o fracasso do SCCP no torneio ocorreu por conta do SPFC.

Rubens Cavallari

Grafite salvando o SCCP da própria incompetência 

Bem, vamos supor que o SPFC tivesse deliberadamente entregado o jogo, fazendo gols contra e tudo mais. Seria um ato anti desportivo do tricolor, mas não isentaria em nada a incompetência corintiana.

O problema é que nem isso aconteceu. O time de Muricy Ramalho entrou em campo com a maioria dos titulares e não cometeu nenhum ato que denotasse ‘corpo mole’, ao contrário do goleiro corintiano em 2009, que simplesmente ficou parado numa cobrança de pênalti, num ato anti-desportivo, desonesto e covarde (veja o vídeo acima).

Se determinado time já agiu de forma desonesta no passado, e faz uma campanha pífia no Paulistinha, não tem direito nem moral para jogar nas costas de terceiros a culpa pelo próprio fracasso.

 Quem tem moral e de sobra é o SPFC, que já teve nas mãos o poder para rebaixar o rival, mas não o fez.

E por favor, nada de tentar culpar a torcida são-paulina no estádio, que comemorou a derrota do SPFC, pois não foi essa a causa das seguidas derrotas do SCCP para times fracos, bem como não foi a causa do empate contra o Penapolense.

Enfim, que Mano Menezes e Romarinho se preocupem mais com o próprio time, pois ser eliminado precocemente na primeira fase de um torneio desses é no mínimo vexatório. E deixem o SPFC, que está muito bem, em paz.

Troca de Jadson por Alexandre Pato é uma aposta válida*

fonte: globoesporte.com

fonte: globoesporte.com

No ano passado, Muricy Ramalho havia dito que não queria jogador “mais ou menos” para reforçar o time. Há alguns dias, o treinador mudou de tom, diante da escassez do mercado, destacando principalmente a dificuldade em se encontrar um atacante para disputar vaga com Luis Fabiano e meio que aceitando um atacante de qualidade inferior.

Diante desse quadro, imaginei que teríamos que nos contentar com Luis Fabiano e algum quebra galho de quinta para a posição de centroavante. Até que hoje surgiu essa notícia bombástica sobre a troca de Jadson por Alexandre Pato, noticiada pelo globoesporte.com.

Confesso que de início estranhei, principalmente porque desenvolvi uma considerável aversão pelo atacante corintiano, que além de ser supervalorizado (nem em mil anos poderá ser considerado um ‘craque’), tem uma postura preguiçosa e arrogante dentro de campo.

Contudo, me lembrei do que Muricy havia dito. E entre um quebra galho qualquer e uma aposta de baixo custo em Pato, fico com a segunda opção.

Primeiro porque Luis Fabiano de fato não tem convencido. Nos jogos importante some, e ainda reclama quando é cobrado.  Ou seja, é essencial ter um atacante decente para substituí-lo. E se Pato não é craque, também não é uma porcaria, muito embora tenha feito uma campanha bem fraca no ano passado, com 17 gols e 2 assistências em 57 jogos (segundo Vinícius Incrocci) – uma média de apenas 0,3 gol por partida.

Em segundo lugar, entendo ser menos provável ele manter essa preguiça toda porque não vai chegar ao SPFC da mesma forma com que chegou ao SCCP. Lá, chegou como rei, contratado por 40 milhões de reais. Aqui, chegará como um jogador contestado e com rejeição de 90% da torcida. Em outras palavras, precisará mostrar serviço para ser aceito.

A propósito, esse é outro ponto: a rejeição da torcida. Pato não é o primeiro jogador da história que sai de um clube para um rival, depois de ter sido desrespeitoso com a torcida deste. Lembrei do caso do atacante Carlinhos Bala, que quando era do Santa Cruz, fez aquele sinal bonito com o dedo do meio para a torcida rubro-negra em plena Ilha do Retiro. E depois foi jogar no próprio Sport, sob desconfiança da torcida. No ano seguinte, o clube foi campeão da Copa do Brasil, e a torcida esqueceu das cagadas que o jogador fez quando atuava no rival.

O mesmo pode acontecer com Pato. Se deixar a marra e a  displicência de lado e fizer gols, todos vão aplaudir. Inclusive você que está lendo o texto neste momento.

Entretanto, é preciso analisar o custo do negócio para saber se o mesmo é vantajoso. A contrapartida do SPFC, pelo que foi divulgado, será ceder Jadson, além de pagar cerca de metade do salário de Pato (R$ 350 mil). Quanto ao salário, não vejo problemas, principalmente porque está dentro da política salarial do clube.

Quanto à ceder Jadson, confesso que também não me incomodo tanto. Apesar de ser excelente jogador, tem deixado a desejar faz algum tempo. O próprio Muricy (segundo reportagem do Uol, se eu não estiver equivocado), não está contente com o jogador, que além do sobrepeso, não tem demonstrado muita disposição. Ou seja, hoje Jadson não é um jogador imprescindível para o time, tornando-se descartável, inclusive para dar espaço para o jovem Gabriel Boschilia, recém-chegado ao profissional.

O que preocupa, no entanto, é o fato de ter 2 centroavantes com muitos problemas de lesão e pouca dedicação. Quem dera tivessem 10% da disposição do Boi Bandido…

Enfim, no frigir dos ovos, vamos abrir mão de um jogador pouco importante para o time, e que custou R$ 8,6 milhões, para ter por 2 anos um jogador cuja posição é mais carente , e que custou quase 5x mais. E isso com um custo baixíssimo (não é a toa que os torcedores rivais estão revoltados com Mario Gobbi, que pagou fortunas por um jogador, para depois cedê-lo praticamente de graça ao SPFC, e ainda pagando metade do salário.)

Que fique claro: vejo a contratação de Pato não mais do que uma aposta. Mas uma aposta válida diante do baixo custo da mesma, das condições do mercado e das necessidades do SPFC. Poder contratar um atacante de qualidade atualmente sem gastar nada além de salários é um negócio de oportunidade. E que se não der certo, causará uma perda mínima.

Vejamos no que vai dar.

ps.: segundo o globoesporte.com, o negócio foi sacramentado.

É preciso bom senso para resolver o imbróglio da aprovação do contrato da cobertura do Morumbi

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E a confusão por conta da aprovação do contrato de reforma do Morumbi continua. A oposição alega que não teve conhecimento do contrato, ao passo que a situação reclama que a ausência de quórum prejudica as negociações.

Quem tem razão? Ambos.

A situação tem razão em ficar preocupada com a reação dos parceiros comerciais diante do Conselho esvaziado, bem como em proteger o contrato, seguindo estritamente as regras ditas pela Comissão de Valores Mobiliários.

A oposição também tem o direito de saber aquilo que está aprovando, até porque é sua função fiscalizar a gestão do presidente da instituição. O problema, no caso, é que a Comissão de Valores Mobiliários não permite, nessa etapa, a divulgação da forma de funcionamento do fundo que arrecadará a grana da obra (e que consta no contrato). Ou seja,  não seria possível divulgar todo o contrato, sob pena de comprometer o mesmo.

Por esse motivo, não se pode, por exemplo, distribuir cópias do contrato, na íntegra, para os conselheiros, sob pena de ocorrer algum vazamento para a imprensa. O  problema, no caso, é que, segundo me foi dito, o estatuto do SPFC não admite que nada seja excluído do conhecimento dos conselheiros.

Diante deste entrave, é preciso bom senso para alcançar uma solução salomônica, ao invés da situação insistir numa (mais uma) mudança de estatuto ou da oposição insistir em frustrar o quórum do Conselho. 

E há esperança para que uma solução nesse sentido seja alcançada. Manssur, em entrevista à rádio Estádio 97, afirmou que disponibiliza o contrato, na íntegra, para Marco Aurélio Cunha e Kalil, principais representantes da oposição. Desse modo, poderiam instruir seus pares a aprovarem ou não. É uma boa idéia.

Em paralelo, creio que também seria salutar o agendamento de reuniões no Conselho voltadas estritamente para os conselheiros tiraram quaisquer dúvidas sobre o contrato, para apenas depois marcar a sessão de votação do contrato.

A solução pode não ser perfeita mas é razoável, até porque convenhamos: todos os conselheiros dificilmente irão ler todas as centenas de páginas do contrato. O que importa é saber a essência do mesmo.

Ao fim e a o cabo, independentemente de eventuais questões políticas e eleitorais envolvidas, o fato é que a oposição tem o direito de saber aquilo que está sob sua apreciação. E este direito deve ser atendido pela situação, seja por um princípio democrático, seja porque isso evita que tal justificativa seja invocada novamente

Com isso, não haverá motivo para o Conselho novamente deixar de apreciar o contrato, seja votando a favor ou contra. 

Novidades sobre o projeto de reforma do Morumbi

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Depois de muito tempo sem novidades sobre o projeto de reforma do estádio do Morumbi, o assunto voltou à pauta. A começar pela modificação do projeto, cujo vídeo foi divulgado anteontem: a cobertura agora terá um sistema de sustentação interno, com duas grandes vigas (como mostra a imagem acima), e sem aquelas enormes pilastras com tirantes. Além disso, o prédio de estacionamentos ficará na parte social e não mais na lateral do estádio.

Outra novidade foram os detalhes fornecidos por Francisco Manssur, assessor da presidência e encarregado do projeto, ao Blog do Birner. Um deles trata da contrapartida do SPFC para viabilizar a cobertura: o tricolor cederá o uso da área que fica atrás do portão 1 (abrangendo os três anéis), onde ficará a arena de shows, mais os prédios de estacionamento, por 10 anos, período este que pode ser renovado por mais 10.

A idéia é boa pois o clube não abre mão das receitas da bilheteria nem dos demais camarotes corporativos e shows de grande porte. Apenas para efeito de comparação: o Palmeiras teve que ceder mais de 90% de quase todas as receitas de sua arena por três décadas. Nesse ponto, o SPFC tira vantagem por ter um estádio grande a ponto de se dar ao luxo de negociar apenas uma parte dele e por um período menor de tempo.

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Agora, o que todos perguntam e querem saber: quando a obra começa e quando acaba. Segundo Manssur, somente terá início depois que todos os recursos forem angariados pelo fundo criado em parceria com a Andrade justamente para evitar a paralisação da obra por falta de grana. Depois de iniciada, ela terminaria em 18 meses.

Até entendo a descrença da torcida depois de tanta demora. Mas convenhamos: um contrato com mais de 1200 cláusulas não pode ser aprovado a toque de caixa, vide os constante atritos entre W Torre e Palmeiras. Não gostaria que o SPFC passasse por isso. É mais negócio fazer um contrato bem feito, amarrando as obrigações de cada parte para evitar prejuízos. Um exemplo: caso o valor ultrapasse os R$ 450 milhões estipulados, a Andrade Gutierrez terá que se virar, pois o tricolor não bancará a diferença. A propósito: como se nota, houve um incremento considerável do valor da reforma, antes avaliada em R$ 300 milhões. Não sei dizer se foi causada pelas modificações do projeto, que também consumiram bastante tempo, uma vez que não se trata de uma obra nada simplória.

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Entretanto, tudo isso somente sairá do papel após a aprovação pelo Conselho Deliberativo do tricolor. Em outros tempos, tal etapa seria tranquila. Mas em período pré-eleitoral, a coisa não foi tão simples. A oposição alegou que não tinha conhecimento de todos os detalhes do contrato e por isso não permitiu a formação do quórum para a sessão (aqui o Boteco do Morumbi, que esteve presente ao evento, explica com maiores detalhes o ocorrido). Juvenal inclusive cogita mudar novamente o estatuto para aprovar logo o contrato, o que, convenhamos, não é uma medida das mais democráticas.

O ideal, a meu ver, seria realizar uma sessão prévia tão somente para explicar todos termos deste contrato aos conselheiros (muito embora haja a questão das cláusulas de confidencialidade, que por norma da CVM, ainda não podem ser divulgadas), para só então marcar outra sessão destinada à aprovação do mesmo. Afinal de contas, se este é o motivo alegado pelos conselheiros da oposição,  não vejo sentido em negar tal direito.

Noves fora esse rolo político, reconheço que achei muito bacana o projeto. Talvez o anterior fosse mais imponente do lado de fora, mas por dentro o atual ficou à altura da grandeza do Cícero Pompeu de Toledo. E vocês, o que acharam?

Decisão da Justiça Desportiva danifica a imagem do Fluminense e do Campeonato Brasileiro

Foto: globoesporte.com

Foto: globoesporte.com

E a Justiça Desportiva acabou de punir a Portuguesa, rebaixando-a no lugar do Fluminense. Já havia me posicionado, defendendo tanto o direito do Flu em acionar o Judiciário, bem como defendendo que a Lusa não deveria perder pontos do Brasileirão 2013 por caracterizar uma punição retroativa.

A decisão tomada pelos auditores não apenas foi injusta como também afetou a credibilidade do torneio. Uma rápida olhada no twitter e no facebook revela como o público ficou enojado ao ver o resultado de um campeonato sendo decidido fora das quatro linhas. Isso fere qualquer senso de disputa justa e igualitária, pois aquilo que o sujeito viu na tv acabou não valendo nada.

Mas não foi apenas o campeonato brasileiro que ficou com a imagem arranhada. O Flu ficará  para sempre com a imagem de time que se livrou do rebaixamento graças a decisão de um tribunal. E o fato disso não ter acontecido pela primeira vez não ajuda muito.

Ainda cabe recurso da decisão da Justiça Desportiva, mas a mudança de rumo é improvável. Não duvido inclusive que a Portuguesa acione a Justiça Comum. Mas o fato é que o estrago está feito. E não será revertido nem tão cedo.

Fluminense tem direito de recorrer à Justiça Desportiva. Mas rebaixar a Portuguesa não seria justo

Foto: Miguel Schincariol

Foto: Miguel Schincariol

Certa vez um colega são-paulino me disse algo muito interessante: no Brasil não apenas o futuro é incerto, pois até mesmo o passado pode ser mudado. Isso é o que pode acontecer com a definição dos times rebaixados do campeonato Brasileiro 2013, que acabou mas ainda não acabou.

Como se sabe, o Fluminense alega a escalação irregular de um jogador da Portuguesa, o que faria a Lusa perder 4 pontos e assim ser rebaixada em seu lugar. O Fluminense tem todo o direito de recorrer à Justiça Desportiva para tentar se livrar do rebaixamento, se o motivo alegado tem respaldo na legislação. Fosse o SPFC no lugar, certamente apoiaríamos a iniciativa, não acham?

E a Portuguesa, por sua vez, também tem motivos para rechaçar a mudança em sua colocação com o campeonato já encerrado. Muito embora o time tenha culpa pelo erro (esse papo de que teria que se aguardar a comunicação da punição no dia útil seguinte é absurdo, pois não consta da lei esportiva), isso não significa que seja justo o rebaixamento, até porque há a possibilidade da punição de 2 jogos ao Héverton ser diminuída.

Nesse embate, quem tem razão? A Portuguesa deveria ser rebaixada? Eis o que penso.

Há um ditado jurídico segundo o qual entre o Direito e a Justiça, deve-se optar pelo último. E nesse caso, creio que a balança pese em favor da Portuguesa, muito embora, pela letra da Lei, o Flu tenha razão.

Digo isso pois não faz sentido aplicar uma punição retroativa. Isso soa como uma aberração. Se a Portuguesa ainda não foi julgada, nem condenada pela perda dos 4 pontos, então que a punição seja cumprida na temporada 2014.

Defendo inclusive que uma punição somente poderia ser aplicada durante o campeonato em que ocorreu a infração se o caso fosse julgado antes do fim do mesmo. Julgar e aplicar uma pena após o término do torneio compromete a segurança jurídica e até mesmo a credibilidade do campeonato, afinal de contas, o que todo mundo viu na última rodada foi o Flu entre os quatro últimos colocados. Mudar isso nos tribunais cria uma sensação péssima junto ao público.

Além disso também há também a questão da coerência do tribunal, que julgou um caso semelhante em 2010 e optou, na época, por uma decisão que hoje seria favorável à Portuguesa.

São Paulo dá vexame e sofre derrota histórica no Morumbi

 

O SPFC começou muito bem a partida da primeira semi-final da Sul-americana. Tão bem que abriu o placar com belo gol de Ganso. Depois disso, a Ponte começou a melhorar, e o SPFC apagou por completo a partir dos 30 minutos, quando não conseguiu nem mais chutar a gol.

E daí em diante não acordou mais. No segundo tempo, o time piorou ainda mais e sofreu a vergonhosa virada.

Muricy, infelizmente, teve culpa no cartório. O treinador que salvou o tricolor do rebaixamento decidiu ousar ao colocar Lucas Evangelista no lugar de Douglas. E com isso o time ficou aberto demais. O lateral não é grandes coisas, mas ao menos assume a função de marcador, o que não é o caso de Evangelista.

O técnico também pecou ao optar por Denílson, que tem falhado constantemente. A bobeada no primeiro gol beirou o ridículo. Confesso que também não gostei da saída de Maicon. Sem ele, Ganso não consegue jogar.

Mas no geral, a meu ver, o maior culpado pela derrota foi a falta de disposição da equipe, que simplesmente se entregou à quase rebaixada Ponte Preta, diante de 53 mil torcedores.

Uma imagem que ilustra isso claramente é o lance em que Wellington sofre um drible entre as pernas e não volta para tentar recuperar a bola. Fica parado, mesmo com o adversário próximo à grande área. Não consigo entender uma coisa dessas.

Independentemente de falhas individuais ou erros de escalação, não se pode admitir falta de vontade num jogo que poderia levar à redenção do SPFC no ano, com um título e uma vaga na Libertadores.

Tudo bem que o SPFC também teve certa dose de azar. Pelo lado da Ponte, um gol contra e outro com desvio da zaga. E pelo lado tricolor, dois gols evitados por muito pouco no fim da partida. E tudo isso em meio a uma chuva torrencial no segundo tempo.

Mas com um mínimo de disposição, dava pra ter conseguido a vitória e encaminhado a vaga para a sonhada final. Uma pena que somente a Ponte teve essa vontade e mereceu muito o resultado do jogo.

Lado positivo (sim, sempre tem um): quem sabe assim, a Diretoria não se iluda com a recuperação no Brasileirão e entenda que o time não precisa de apenas “2 ou 3 reforços”. 

Blogueiro da Ponte Preta demonstra ignorância ao ofender o São Paulo

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Fiz um post sobre a reclamação do SPFC contra a realização da semi-final no estádio Moisés Lucarelli, da Ponte Preta, justamente por antever que certos juízos non sense seriam feitos contra o tricolor. Dito e feito.

O blogueiro Rafael Ras, do globoesporte.com, fez um texto carregado de acusações descabidas contra o São Paulo, tais como:

• O São Paulo está fazendo uma “manobra”;

• “O time da capital está se cagando para vir jogar em nossa casa”;

• O SPFC tem “ousadia de passar por cima de qualquer coisa para ver seu clube ser campeão”;

• O São Paulo é o “time é o mais sujo de todos, quando o assunto é bastidor”;

• O tricolor foi sujo, covarde e repugnante ao tirar o mando de campo do CAP na final da Libertadores.

Antes de qualquer coisa, deixo claro que entendo a disposição da Ponte e de seus torcedores de defenderem a realização do jogo em seus domínios. Fosse com o SPFC, eu faria o mesmo. Mas isso é muito diferente de sair disparando acusações levianas e descabidas, e pior: ignorando por completo uma coisa chamada REGULAMENTO, palavra que, curiosamente, não consta em nenhum trecho do longo texto feito pelo blogueiro.

Notem, por exemplo, o absurdo que afirmou sobre a final da Libertadores de 2005. Oras, quem tirou o jogo na Arena do Atlético foi a Conmebol, não o SPFC. A Conmebol, se quisesse, poderia negar o pedido do clube, mas assim não fez.

O fato é que o São Paulo agiu e está agindo dentro dos conformes ao pedir que o regulamento seja cumprido. E pedir o cumprimento da Lei não pode, sob hipótese alguma, ser considerado uma manobra ilícita.

Ilícito, por definição, é ignorar a regra.

“Ah, Navarro, mas teve jogo das oitavas e das quartas em estádios com capacidade inferior à prevista no regulamento”.

Então isso quer dizer que o regulamento não vale? Caro leitor, entenda uma coisa: a Conmebol é um samba do crioulo doido. Mais bagunçada que a CBF. Em condições normais de temperatura e pressão, o SPFC jamais teria que pedir nada – a própria organização do torneio já vetaria, de antemão, a realização de jogos fora dos limites da regra.

Se a Ponte e seus torcedores querem reclamar, que reclamem contra a Conmebol, pois o regulamento é feito por ela, e eventual decisão sobre o estádio da semi-final também cabe a ela. Ao tricolor, cabe apenas o pedido. Não é ele quem o julga.

E fica a dica para o Rafael Ras: peça para a diretoria da Ponte Preta aumentar a capacidade do minúsculo Moisés Lucarelli. Dá muito mais resultado do que ficar reclamando sem razão. É o que o Atlético Paranense, por exemplo, está fazendo com sua bela arena.

Ponte Preta não pode reclamar do SPFC caso a semi-final da Sul-americana não ocorra no Moisés Lucarelli

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“É uma situação que já usaram em uma Libertadores contra o Altético-PR e reativaram agora para ter algum benefício.” (Lancenet!)

A frase acima foi dita pelo presidente da Ponte Preta, Márcio Della Volpe, ao criticar a postura do SPFC de solicitar que o segundo jogo da semi-final da sul-americana não seja realizado no estádio Moisés Lucarelli.

O caso, como bem disse Della Volpe, lembra o rolo da final da Libertadores 2005, quando o Atlético Paranense não pode jogar em casa por conta da capacidade abaixo de 40 mil torcedores de sua Arena. Na ocasião, o chororô adversário foi grande, tal como está acontecendo agora. E isso não faz o menor sentido.

No Brasil, temos esse costume de não cumprir as regras do jogo. Se há um regulamento dizendo que o estádio precisa ter 20 mil lugares para determinada partida, então o estádio precisar ter 20 mil lugares, oras bolas.

Se o Moisés Lucarelli tivesse algo muito próximo de 20 mil lugares (digamos, uns 19.700 ou coisa parecida), até entenderia a reclamação. Mas não é o caso. O estádio, segundo a Polícia Militar informou na rádio CBN, tem capacidade para apenas 16.900 lugares, 3.100 a menos do que o necessário.

E convenhamos, não se trata aqui de uma regra sem sentido. Jogos importantes de um torneio, em qualquer lugar do planeta, exigem estádios de grande porte. Alguém em sã consciência imagina, por exemplo, uma final de Champions League num estádio para 15 mil pessoas? Ou uma final de Copa do Mundo num estádio para 20 mil torcedores?

SPFCpedia

SPFCpedia

O melhor argumento contra quem reclama dessa situação foi dado por um velho amigo meu: é que os clubes, nesses casos, pagam por falta de visão e de ambição.

Vejam o caso do SPFC: há 50 anos vislumbrou a importância de ter um estádio grande, e fez grandes sacrifícios para ter um, passando por uma grande seca de títulos.

E hoje, tem um estádio para 67 mil torcedores, que comporta a final de qualquer partida de qualquer torneio.

Clubes como Atlético Paranaense e Ponte Preta nunca tiveram essa ambição, se contentando com estádios pequenos (a Arena da Baixada, por exemplo, comportava apenas 25 mil pessoas). E acabaram pagando o preço (caro) por isso, como ocorre agora com a Ponte, que corre o risco de não jogar em casa numa das partidas mais importantes de sua história.

O São Paulo, diante dessa situação, tem todo o direito do mundo de pleitear à Conmebol que o regulamento seja cumprido, sem que isso se configure como tentativa de ‘se dar bem’. Da mesma forma que um adversário pode pedir a intervenção da Conmebol se o tricolor tiver algum jogador com inscrição irregular ou coisa do tipo.

A culpa dessa confusão, no fim das contas, é dos próprios adversários.

 

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