Blog do Navarro

Análises e notícias do São Paulo F.C.

Racha entre Aidar e Juvenal provocará mudanças na Diretoria e no Conselho

O clima político no São Paulo esquentou ainda mais. Carlos Miguel Aidar demitiu Juvenal Juvêncio, que agora chama o atual presidente de “traidor”.

Um detalhe, porém, só agora foi revelado: o estopim da crise. Segundo PVC, o problema todo explodiu de vez por conta do vazamento de um suposto favorecimento de Aidar à empresa Serveng, que faria a reforma do Morumbi. Aidar teria atribuído ao ex-presidente o tal vazamento – mas de acordo com PVC, Juvenal não seria o responsável pelo fato.

Mais importante do que os motivos do racha, contudo, são as consequências dele. Pelo visto, teremos mudanças tanto na parte administrativa do clube quanto no equilíbrio de forças do Conselho.

De acordo com reportagem da ESPN, os dirigentes mais fiéis a Juvenal devem sair (tal como Roberto Natel). E outros vão permanecer, compondo uma espécie de novo bloco político (a exemplo de Julio Casares e Ataíde Gil Guerreiro).

As mudanças de poder no Conselho Deliberativo, por sua vez, se confundiriam com a motivação do embate. Aidar teria planejado o rompimento num ato de aproximação da oposição, viabilizando a aprovação da reforma do Cícero Pompeu de Toledo. Juvenal, por outro lado, pode engrossar o caldo contra Aidar, tornando-se oposição e dificultando a vida de seu ex-aliado.

Não sei afirmar se a empreitada de Aidar dará certo, pois Juvenal, em tese, tem maioria no conselho.  Sei apenas que instabilidade política sempre preocupa. Quero e muito o Morumbi reformado. Assim como também não quero que essa turbulência atrapalhe o futebol, que hoje está muito bem.

Embate público entre Aidar e Juvenal prejudica e muito o São Paulo

Confesso que até agora tenho gostado e muito da gestão de Carlos Miguel Aidar. Tem feito uma mistura de ousadia e responsabilidade que muito me agrada, reduzindo custos operacionais sem, contudo, cortar os investimentos no time (depois de Kardec, deve gastar uma boa grana por Wesley, por exemplo).

Com isso, ele segue a máxima de não deixar de investir no time, uma vez que o sucesso da equipe se reverte em mais recursos para o clube. Isso sem contar o ambicioso e interessante projeto que ele tem em mente para a reforma do Morumbi.

Aidar, contudo, tem pecado em um detalhe: a falta de tato político. Questão que já era motivo de crítica no governo de Juvenal, continua sendo agora. E confesso que nesse ponto, eu esperava mais do atual mandatário. Digo isso porque ele tem um histórico de liderança de muito sucesso, principalmente quando comandou a criação do Clube dos 13. Aidar, inclusive, era a minha esperança para a Globo mudar seu sistema de valores de direitos de tv (se bem que parece ter havido uma vitória do clube nesse assunto, mas não foram mencionados valores).

Entretanto, toda essa expectativa começou a ser frustrada com a reação equivocada de Aidar às críticas de Paulo Nobre depois da contratação de Kardec. Me arrisco a dizer que toda a imprensa esportiva e até mesmo boa parte da torcida palmeirense reconheciam, na época, que a perda do jogador se deu mais por um ato de incompetência de Nobre do que pelo interesse do tricolor paulista.

Bastava, portanto, Aidar ter se defendido mostrando que agiu conforme o mercado e o problema estaria solucionado. Mas não: ele foi além ofendeu a instituição rival, que acabou rompendo relações com o clube do Morumbi. Não é a toa que presidentes de clubes adversários, que também viam em Aidar um potencial líder, se decepcionaram, fazendo o presidente tricolor desistir de trabalhar por medidas de união entre os clubes. Faltou, portanto, uma certa dose de diplomacia.

E ao que parece, Aidar comete o mesmo erro ao criticar publicamente os erros da gestão de seu (ex) aliado, Juvenal Juvêncio. Primeiro porque expõe o clube negativamente, tratando de questões que somente deveriam ser abordadas internamente. E em segundo lugar, e mais grave, cria uma grave situação de instabilidade política.

Captura de Tela 2014-09-11 às 12.11.51Evito adentrar no mérito das críticas de Aidar ou da resposta de Juvenal – até porque desconfio que esse embate tem menos a ver com a gestão de Juvenal e mais a ver com outros assuntos, mas esse não é o ponto.

É fato que Juvenal cometeu muitos erros, principalmente em seu último mandato: contratou, por exemplo, pencas de jogadores sem qualidade, que até hoje oneram a folha de pagamento do clube. Isso sem falar no contrato de patrocínio master com a Semp Toshiba que durou apenas até o meio do ano, deixando o clube numa situação bem delicada no meio da temporada.

Mas também é fato que Aidar estava ao seu lado o tempo todo, inclusive bancando o famigerado terceiro mandato, tendo inclusive feito muitos elogios a Juvenal durante a campanha à presidência.

O problema é mais sério do que parece, uma vez que Juvenal Juvêncio tem grande influência sobre o Conselho Deliberativo. E isso pode deixar o atual presidente sem governabilidade. Reportagem do Guilherme Palenzuela, no Uol, sobre o assunto reforça essa tese, ao mostrar que Aidar está ficando isolado politicamente:

“As palavras de Aidar iniciaram profunda desestabilização política no São Paulo a partir desta quarta-feira, e a obra do Morumbi serve de exemplo: para modernizar o estádio, Aidar precisa da aprovação do conselho deliberativo, algo que, depois das intensas críticas a Juvenal, é praticamente impossível de acontecer. O São Paulo rachou politicamente e agora passará por processo de instabilidade que não via há pelo menos dez anos“.

Como se nota, podemos ter grandes prejuízos, mais uma vez lutando muito por uma reforma no Morumbi para depois vê-la morrer no Conselho. Isso sem contar que o bom rendimento do time acaba dividindo espaço na imprensa esportiva com esse tipo de notícia, o que não é nada bom para a instituição. Entendo que teria sido muito melhor ter tratado desse assunto de uma forma mais discreta.

O fato é que Aidar precisa evitar esses atritos – e de preferência, usar de toda diplomacia disponível para dar um fim nessa grave situação e continuar a fazer o bom trabalho que tem feito num ambiente de paz de tranquilidade.

Dá gosto ver esse São Paulo jogar

É impressionante como o São Paulo tem agradado com o estilo de jogo com muita troca de passes (certos) e uma facilidade absurda de chegar à meta adversária. Não é a toa, o SPFC tem tido sempre grande posse de bola, de fato lembrando o famoso ‘tiki taka’ do Barcelona. “Imita” tanto o time de Messi, que sequer arrisca chutes de fora da área: prefere ficar tocando até conseguir um espaço realmente bom para arriscar o chute a gol.

E o mais incrível de tudo isso é a importância de Kaká para o time. Que jogador extraordinário. Com ele, por exemplo, Pato simplesmente deslanchou. Como bem observou PVC, quase 60% dos gols de Pato no SPFC aconteceram depois da chegada do meia. Lembremos que antes disso, Pato ainda estava sendo bastante questionado no tricolor.

Uma pena que fique tão pouco tempo no São Paulo…

IMG_0030Considerando o quarteto ofensivo, formado por Kaká, Ganso, Kardec e Pato, as estatísticas não mentem: 6 jogos, 6 vitórias. Mais uma vez recorro aos números trazidos por PVC:  nesses seis jogos, o tricolor estufou a rede 14 vezes! São 2,3 gols por partida! Nesse ritmo é bem provável que superemos o ataque cruzeirense como o melhor do torneio.

O time fica tão forte e tão poderoso, que mesmo com a zaga dando bobeira, conseguem reverter o problema, tal como aconteceu ontem.

Depois de ver o jogo contra o Botafogo no Mané Garrincha, pensei comigo mesmo: pagaria novamente e com gosto o (caro) ingresso, depois dos 4 gols e de algumas defesas milagrosas de Ceni.

PS: já passou da hora da Diretoria analisar a possibilidade de mandar jogos em Brasília. Se com o ingresso a R$ 80 reais, num jogo às 22h, colocamos quase 25 mil torcedores no Mané (digo que colocamos porque a esmagadora maioria era da torcida são-paulina), imaginem num final de semana com ingressos baratos…

Exclusão do Grêmio da Copa do Brasil é absurda

Eis que a Justiça Desportiva excluiu o Grêmio por conta dos atos de injúria racial cometidos por meia dúzia de torcedores gaúchos contra o goleiro Aranha. Apesar do tema não envolver diretamente o SPFC, ele atinge todos os clubes – e pode inclusive envolver o tricolor paulista no futuro. 

Por isso, vou tratar do tema, que tanto me incomoda. Depois de ver vários times serem punidos com perda de mando de campo por conta de 1 torcedor imbecil que jogou algum objeto no campo, agora um time foi excluído de uma competição por algo semelhante: uma imbecilidade cometida por um grupo minoritário de torcedores idiotas.

A diferença é que um ato racista é muito mais grave do que o arremesso de objetos ao campo. Entretanto, não faz sentido, por conta dessa gravidade, punir duramente uma instituição que nada tem a ver com o problema. Inclusive gostei muito da abordagem do tema pelo jurista Walter Maierovitch, no Blog do Juca (leia aqui). Ele, com outras palavras, defendeu o que agora estou defendendo.

Grosso modo, acredito que duas são as premissas mais comumente utilizadas para embasar esse tipo de punição: 

1. É preciso uma ação mais dura do que o normal para demonstrar verdadeiro repúdio ao racismo;

2. Punindo o clube, os torcedores pensarão duas vezes antes de repetir o erro;

Ambas não poderiam estar mais equivocadas. Que é preciso combater o racismo com força e determinação, ninguém questiona. Mas é preciso cuidado para não tomar decisões meramente bem intencionadas, mas de cunho político, sob o risco de causar uma injustiça – e foi exatamente isso que aconteceu no caso do Grêmio. A punição dura e exemplar deveria ser em cima dos torcedores que cometeram o delito e jamais sobre o clube ou sobre o restante da torcida.

A segunda premissa é o maior engodo que já vi, pois ele também é colocado à prova no caso de torcedores que arremessam objetos ao campo. Vários clubes já foram punidos e isso nunca, jamais causou um efeito educativo no torcedor bocó. Pelo contrário, isso causa apenas um sentimento de revolta e injustiça por parte do clube e seus torcedores.

Resultado: os inocentes (os clubes e 99,9999999% da torcida) acabam pagando o pato por conta de atos isolados de uma minoria minúscula. E isso, meu caro leitor, não pode ser considerado Justiça.

Eu mesmo, sempre que vejo o SPFC sendo punido nessas situações de brigas de torcida ou objetos arremessados ao campo, fico indignado em saber que os verdadeiros culpados não sofrem sanções, e ao mesmo tempo, eu e todo o restante da torcida vemos o clube que amamos pagar por isso.

Voltando ao caso do Grêmio, fico feliz em saber que os torcedores que atacaram Aranha estão  não apenas sendo responsabilizados criminalmente mas também estão sendo reprimidos pela sociedade, que demonstra todo seu repúdio pelo que aconteceu. Resultado: o torcedor que pisou na bola vai ter uma baita dor de cabeça com a Justiça, provavelmente terá que se mudar e ainda ficará impedido de voltar a ver os jogos do tricolor gaúcho no estádio.

Isso seria mais do que suficiente para dar uma solução razoável ao problema. Mas ao punir quem nada fez de errado, acaba-se cometendo uma injustiça para resolver outra injustiça. O caminho, definitivamente, não é esse.

 

São Paulo pode ter novo fornecedor de material esportivo

Under Armour é responsável pelo uniforme do Tottenham

Semana passada, Paulo Pontes, do Tricolor na Web, forneceu muitas informações interessantes sobre uma possível mudança no fornecedor de material esportivo do São Paulo. Segundo ele, a Penalty teria manifestado interesse em encerrar o contrato no final desse ano, antecipando assim o que somente ocorreria em dezembro 2015.

Diante disso, o clube estaria procurando interessados no mercado, e, ainda segundo Pontes, tem mantido conversas adiantadas com três empresas, dentre elas, Puma e Adidas. É possível que a terceira empresa seja a americana Under Armor, conforme entrevista do Diretor de Marketing Ruy Barbosa ao Lancenet: “O São Paulo fala com todo mundo sempre Under Armour, Adidas… A gente está sempre conversando, mesmo porque o contrato para 2016 tem que ser discutido já” (notem que não é certeza o rompimento do contrato com a Penalty. Nesse caso, o novo fornecedor ficaria para 2016 mesmo).

Nessa aparente disputa pela camisa são-paulina, parece que a Adidas tem boas chances de sair vitoriosa. Ao menos é o que afirmam Paulo Pontes (na reportagem mencionada) e Sonia Racy, do Estadão, em matéria publicada hoje.

Uma das vantagens de um novo fornecedor é que provavelmente não será tão contestado pela torcida como foi a Penalty – que não foi tão bem em 2013, mas evoluiu consideravelmente em 2014.

Noves fora as questões estéticas envolvidas, acredito que o mais importante sobre o tema é a questão financeira – ainda mais considerando-se que a Penalty não paga um valor (em pecúnia) tão elevado ao SPFC. E no cenário atual, com uma folha salarial elevada e dificuldade em se conseguir um patrocinador master, não se pode deixar de lado essa importante fonte de receita. Em síntese: mais importante do que saber quais empresas podem confeccionar a camisa tricolor é saber quanto que elas estariam dispostas a pagar por isso.

Por fim, uma questão curiosa chama atenção: Paulo Pontes também afirma que as empresas interessadas não abrem mão de uma terceira camisa – e mais: o Conselho estaria disposto a aceitar esta imposição. Depois do sucesso da camisa vermelha, creio que seria uma medida interessante para o SPFC.

Muricy pode ser o responsável pela contratação de Michel Bastos

Assim que André Plihal informou que o tão badalado reforço era Michel Bastos, foi possível ver a decepção da torcida. Não a culpo, afinal de contas, Gil Guerreiro falou que estava contratando um ‘craque’ (viram porque sempre sou cético nessas horas? hehe).

Apesar de compreender a reação da torcida, não acho que seja muito relevante se preocupar tanto assim por conta da expectativa gerada. O que importa (e o que deve ser avaliado) é o custo benefício do jogador.

É fato que não se trata de nenhum desconhecido nem de um perna de pau. Michel Bastos pode não ser craque mas é um jogador competitivo. 

O que incomoda na verdade não é sua qualidade mas sim o fato dele não atender as principais carências da equipe, quais sejam, lateral direita, volante e zaga. Como se sabe, Michel é lateral esquerdo, e pode inclusive jogar no meio campo, mais adiantado. E essas posições atualmente já tem titulares.

Contudo, Plihal forneceu uma informação relevante: não foi nada planejado e sim uma contratação de oportunidade.

Não sou contra aproveitar oportunidades. Vai dizer que você nunca comprou nada em promoção, mesmo sem realmente precisar? Um jogador que normalmente custa X e por determinadas circunstâncias, passa a custar 1/2X é uma pechincha. Porque não aproveitar – mesmo não sendo o que o time mais precisa?

O problema no caso específico do SPFC é fazer isso num momento em que o tricolor está com a corda no pescoço, gastando R$ 10 milhões por mês com a folha salarial e sem patrocinador master. Nesse caso, faria mais sentido concentrar recursos para as demais posições, evitando assim gasto dobrado em ‘2 titulares’.

Mas a responsabilidade (ou seria a culpa?) por essa contratação não é necessariamente apenas de Gil Guerreiro. Isso porque Jorge Nicole, em notícia do dia 30 de julho, divulgou que Muricy havia pedido a Aidar a contratação de um lateral esquerdo para disputar posição com Álvaro Pereira. E teria sido justamente o treinador que convenceu o presidente a fazê-lo.

O fato de Álvaro Pereira estar emprestado por curto prazo ao tricolor e de Michel Bastos estar sendo contratado em definitivo ajuda, mas não o suficiente, a justificar o investimento feito. Outro motivo (inclusive alegado por Muricy) é que Reinaldo estaria deixando muito a desejar no treinos, motivando assim a busca por mais um atleta na posição. 

De qualquer forma, apesar dos pesares, não dá pra negar que o time ficou mais forte. Não acredito que seja motivo para achar ruim a contratação – até porque Michel Bastos é muito melhor do que o reserva atual da posição.

PS.: não estou dizendo que Muricy pediu ou avalizou a contratação de Michel Bastos. Estou apenas mostrando uma possível coincidência entre os fatos.

Algumas dicas de quem pode ser o novo reforço do São Paulo

A noite de terça-feira está sendo bem animada para os torcedores são-paulinos. Ataíde Gil Guerreiro, segundo o Uol e o Globoesporte.com publicaram, informou que o SPFC espera anunciar até quarta-feira o último reforço da temporada, cuja negociação continuaria ao longo da madrugada.

A curiosidade da torcida, por óbvio, é grande. Temos, contudo, algumas dicas de quem pode ser o tal reforço.

Fernando Faro, do Estadão, afirmou que trata-se de um jogador que já atuou na seleção brasileira (e, portanto, é brasileiro) e que é polivalente.

Gil Guerreiro disse que o jogador  “tem contrato lá fora e ganharia muito mais do que ganharia aqui”. Complementou afirmando que pode jogar no ataque e que se trata de de um “jogador de ponta, um craque”.

Carlos Augusto Ferrari, do globoesporte.com, obteve junto a comissão técnica a informação de que se trata de um defensor, podendo o atleta atuar tanto na defesa quanto no meio campo.

Pessoalmente, sempre opto por certo ceticismo, até para não me decepcionar. Por isso, acredito ser pouco provável se tratar de um grande jogador. O fato do clube já ter investido na vinda de Kaka, estar com a folha de pagamento inchada e com déficit no orçamento reforçam essa tese.

Mas nunca se sabe, ainda mais considerando o perfil ambicioso de Aidar.

O que talvez seja tão importante saber é a posição do atleta. Hoje, creio que um volante e um lateral direito bons são a maior carência da equipe – torço para que o tal reforço seja de uma dessas posições.

E então, o que acham? Quem deve ser o novo reforço?

Atualização: André Plihal, da ESPN, informou que se trata do Michel Bastos.

Rede Globo tem razão ao exigir maior competitividade dos clubes. Mas a emissora é parte do problema

Notícia de Daniel Castro, do Uol, expõe o assunto que será objeto da reunião entre a Rede Globo e os presidentes dos clubes da série A: exigir melhor qualidade do futebol. A justificativa do pedido seria a contínua queda na audiência que o futebol tem proporcionado.

Considerando-se que a emissora pagou (muito) caro pelos direitos de tv, ela tem todo o direito de exigir isso, ainda mais depois da pífia audiência dos jogos do SCCP e do Flamengo, clubes de maior torcida do país. E uma das armas para a Globo conseguir seu objetivo é, segundo a reportagem do UOl, mostrar que sem uma melhora da audiência, o futebol acabará ficando restrito à tv fechada – algo que a emissora acaba de fazer com a Fórmula 1, que a partir de 2015 será transmitida apenas pelo Sportv.

E isso significaria um grande prejuízo para os clubes, uma vez que a principal fonte de renda deles são os direitos de tv (aberta).

Diante da CBF, alguns clubes, ainda de acordo com a reportagem, chegaram reclamar da discrepância das cotas de tv entre os clubes. A justificativa oficial de Marcelo Campos Pinto é que a emissora define tais valores com base na audiência e nos jogos transmitidos.

Eis aí uma grande parte do problema. Ou melhor, do que pode piorar o problema. Hoje, clubes como Grêmio e Cruzeiro recebem menos de metade do que Flamengo e SCCP. E essa diferença aumentará ainda mais a partir de 2017.

Como pode a Rede Globo exigir maior competitividade das equipes (que depende diretamente do equilíbrio do certame) se ela mesma fomenta o desequilíbrio?

Reconheço, por óbvio, a parcela de culpa dos dirigentes, que mesmo depois de receberem uma nota preta pela renovação dos contratos com a tv, não conseguem manter a saúde financeira dos clubes, nem aumentar a competitividade dos times – basta ver que quase todos os clubes ainda hoje dependem de antecipação da grana da tv.

Mas esse problema tende apenas a piorar com a diferença gritante de cotas de tv, que no longo prazo tem tudo para acabar com qualquer resquício de competitividade do Brasileirão.

Captura de Tela 2014-08-06 às 12.25.51E diga-se de passagem que a justificativa dada por Campos Pinto não é verdadeira.

O que motivou as diferenças das cotas de tv foi a necessidade de romper o Clube dos 13 e impedir que o Brasileirão fosse paras as mãos da concorrência.

Em suma: nada a ver com audiência – tanto que os valores das cotas não tem nenhuma proporcionalidade com a audiência dos times, como ocorre na Premier League.

Se não fosse assim, Flamengo e SCCP não ganhariam o que ganham hoje, uma vez que ambos têm decepcionado na audiência. SCCP x Criciúma, por exemplo, rendeu pífios 13 pontos no Ibope. Flamengo x Chapecoense rendeu míseros 17 pontos.

Caso a justificativa da audiência fosse verdadeira, então o SPFC ganharia a maior cota no ano, tendo em vista ser líder de audiência na Globo em 2014, com uma média de 22,8 pontos (veja aqui).

Por isso, digo que se por um lado a cobrança da Globo é justa, ela também é uma oportunidade única para os clubes brasileiros lutarem por uma distribuição mais justa dos direitos de televisão – sob pena do problema da audiência piorar ainda mais, prejudicando tanto a emissora quanto os clubes.

SPFC tem oportunidade única para ter Kaká. Único porém é a curta duração do contrato

Matéria de Fabricio Crepaldi e Marcelo Prado no Globoesporte.com informa que o tricolor paulista negocia para ter Kaká por empréstimo até março de 2015. O meia teria um pré-contrato com o Orlando City, mas como a temporada americana somente começa em março 2015, até lá Kaká atuaria no clube que o revelou. Seriam assim 11 meses (10 meses desconsiderando a folga do fim de ano).

Importante deixar claro que ainda não há nada sacramentado, mas as chances de acerto são grandes (segundo a reportagem). Tanto que um dos maiores entraves (acerto salarial) já foi resolvido.

Não há dúvidas de que se trata de uma grande oportunidade. Eu mesmo duvidava que Kaká voltaria tão cedo ao tricolor. É possível que a separação com sua esposa tenha cooperado para mudar esse cenário. Aos 32 anos, Kaká ainda pode render bastante, ainda que esteja distante do meia que chegou a melhor jogador do mundo.

Considerando-se a idade do jogador, o fato dele ser contratado sem custo e de provavelmente ter aceitado um salário realista tornam essa uma oportunidade única.

Lamento apenas  a curta duração do contrato. Kaká não jogaria nenhum campeonato completo pelo tricolor. Nem Brasileiro, nem paulista nem uma eventual Libertadores. Além disso, tenho por princípio que jogador contratado por pouco tempo já chega no time pensando quando vai sair. Mas quando assina por 2 ou 3 anos, a perspectiva muda.

Por outro lado, é importante avaliar que Muricy teria ótimas oportunidades para montar o time. Com Ganso e Pato oscilando, seria bom ter mais disputa no setor ofensivo – muito embora Allan Kardec tenha acabado de chegar.

Por fim, a vinda de Kaká ajudaria bastante o tricolor a conseguir um patrocinador master. Do jeito que está o mercado, seria uma ajuda mais do que bem-vinda paras as finanças do clube do Morumbi..

 

Morumbi: além da cobertura, Aidar quer aproximar arquibancada do campo

Antes de mais nada, sim, eu estou vivo. O trabalho infelizmente me deixou um tanto longe do blog, que acabou abandonado.

Parar quebrar essa rotina, finalmente tratarei do desfecho (se é que se pode falar em desfecho) do imbróglio da cobertura do Morumbi.

Não vou perder tempo tratando dos motivos que levaram o projeto a cair por terra pois o Julio Prieto já tratou com maestria do tema em seu blog O Boteco do Morumbi. Tanto a oposição, quanto a situação e o cenário econômico tornaram pouco prováveis a continuidade da tão sonhada cobertura.

Mas há um fator a mais nessa história: Carlos Miguel Aidar. Durante sua candidatura à presidência, ele já havia mencionado discretamente que se incomodava mais com a distância da arquibancada em relação ao campo do que com a falta de cobertura. Ou seja, ele discordava do projeto feito por seu antecessor.

Acredito (e aqui estou especulando) que esse foi um dos motivos que levou Aidar a não insistir na disputa com o Conselho para aprovar o projeto. O presidente são-paulino aproveitou a situação desfavorável para conceber um novo projeto, mais ousado e mais difícil de ser viabilizado, de acordo com o que ele quer para o estádio.

Não é a toa que, em recente entrevista ao Blog do Menon, deixou claro que o Morumbi está defasado em comparação com os demais estádios brasileiros. Aidar depois se desculpou pela declaração, mas a mensagem foi muito clara: ele quer uma reforma estrutural do Cícero Pompeu de Toledo.

Tanto é verdade que ocorreu nova reunião no Conselho Deliberativo para tratar do tema, segundo revelou Paulo Pontes, do Tricolor na Web. Segundo ele, três construtoras apresentarão, em breve, propostas para reformar o estádio. E todas elas incluíram cobertura, a arena para shows e o estacionamento.

Uma dessas propostas, ainda segundo a matéria, estaria sendo bem vistaa pelo Conselho e consistiria no prolongamento do anel superior até a beira do campo, que seria rebaixado. Com isso, o andar inferior deixaria de ser arquibancada para dar lugar a um shopping.

A idéia é ousada e menos conservadora que o projeto anterior. Mas o preço dessa ousadia é o custo, que certamente será gigantesco, próximo do custo do projeto para a Copa do Mundo. O que poderia facilitar a empreitada, contudo, é a criação do shopping. Desse modo, além da arena para shows, haveria mais uma fonte de renda para bancar a obra.

Não tenho idéia se isso vai ou não para frente. Confesso que já estive muito otimista quanto à cobertura e hoje minha postura é de absoluto ceticismo, tanto pelas complicações políticas do clube, quanto pelo custo e pela burocracia exigida para uma reforma tão grandiosa.

Veremos o que acontecerá nos próximos capítulos.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 11.050 outros seguidores